quinta-feira, 19 de julho de 2007

Como não sonhar com
a eternidade
se somos o vento e o
sal da natureza.....


A Sombra da Adaga


Fenece a sinistra
sombra da adaga
furta-cor ombreada
de leitos nas reticências
refletida pedra-pomes
veio no visco

qual água estriada em
muitos maribondos
entumescia, meus lábios,
a vibração dos gotejos
gotas gotejantes
iluminantes
vadias as vagas ampliadas
cristalino cálido
no caldo do líquido

abraçado às brasas do limo e do lúdico
pequenas películas de muitas fímbrias
escorridas de luz e lúcidas de sombra
fótons de quanta e quartzo
na superfície sem forma líquida
um transcorrer sereno no pássaro do ser.

Luvas de Aço


Desfaço com
luvas de aço
a complexidade
do conhecimento
consciente

Arranho com
punhos da água
a valsa
do recôndito
rebanho
inconsciente

Vago por marés
de plumas e
cortejo jasmins
jesuítas sisudos no
toque de recolher.


O Relento da Noite


Curva-se à sina
e ao senão
dos varados
solventes ventos
vorifecerados
lá no ângulo
- dos capatazes –
rebenta a moura corda
do passado
danado
danoso
doloroso
(ao fundo um céu
de chafarizes)

jasmim ribanceira
lareira de lábios
umedecidos
conchas cavadas
no relento da noite


o assobio de uma estrela
espuma na terra
como a vingança
do açoite da vida.


Língua Cifrada


Língua cifrada
de Arcanjos
NEGROS
Lençóis de agulhas ao vento
lilases as metáforas da sina
em frente e por sobre
a fralda do Tempo
(Anjo Arcanjo
de mim)


na casa do pai
em nome do Santo
Amém
teu verbo é ósculo
de pranto e pompa
arena de sereno
quase estupidez

que flor de vida
nas cores do jardim

Ladrilhos Vermelhos


eu sonho ladrilhos vermelhos
que faiscam as fábulas de outrora
uns anos preenchidos de válvulas
escapes pôr entre os poemas
das sílabas
ouvia nas paredes rumores de vento
enquanto as serpentes da alma
ondulavam famintas solidões
e esquecia-me da morte
essa branca nuvem de reticências
que abençoa a todos nós...

humilhavam-me trevas de esquecimento
o desdém das horas impunes
que vociferam suas espadas de espátulas
vesgas e enviesadas
uns anos maltrapilhos que levaram
os nódulos e enfrentamentos para tão além

que nada além se me permitiu
que o vácuo da inesperada e vazia
liberdade......

os seres continuaram
uns espectros sem nome
fornidos do
marte rosa de furta-cor
solene na orquestração
da vontade.

Ah, a deus enviarei
as pérolas das estrelas
brancas
de minha alma.

Caravelas


Movimentos ? quase só
os conheço aos poucos,
dos incomensuráveis
me poupo em cada pouso
para amar caravelas

antes de chegar-me
assumo a distancia

o espelho da nave
era sombra e, excluído,
fez-me crer que mais graves
são as manhãs de domingo
quase sempre amigas
dos papéis em branco
das recordações recortadas
dos múltiplos feriados.

Quando se surpreende o móvel,
no movimento ou no esquecimento?

Quando se forma a forma,
na correção ou na divagação?

são infinitas as maledicências
da matéria, as fazem de forma
a estarmos em constante humilhação
da derrubada dia e ponto
noite e selo
nas armações de suas venturas
mudadas de tática e conteúdo
à piragem da Nave.